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Caminho de Santiago sem pressa – Saint-Jean-Pied-de Port a Valcarlos – Subida dos Pirineus – 02/abril/2018

Primeiro dia – 02 de abril de 2018

Amanhecendo em Saint-Jean-Pied-de-Port
Cris dando os primeiros passos do Caminho
Saindo da Pousada, Descendo a rue de Citadelle
Emoção dos primeiros passos. Adelante y arriba
Juntos na Porta de Santiago, Saint-Jean-Pied-de-Port
Rio Nive, Saint-Jean-Pied-de-Port
Ponte sobre o Rio Nive

Os peregrinos começam o Caminho antes mesmo do sol nascer. Muitos planejam chegar a Roncesvalles, que fica a 25 km de distância. Por ser o trajeto mais duro do Caminho, preferimos pernoitar em Valcarlos, trecho de 12 km, subindo os Pirineus. Nosso plano sempre foi curtir o Caminho, sem pressa para chegar ao fim. De Saint Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles existem dois caminhos, um chamado Rota do Imperador Romano Carlos Magno e outro conhecido como Rota de Napoleão. Na escolha de qual caminho seguir devem ser levadas em consideração a condição física do peregrino e a previsão meteorológica do dia. Nossa ideia era seguir a Rota de Napoleão até Orisson, andando somente 7,8 km para nos acostumar e pegar o ritmo sem pressa. Nosso plano geral era caminhar no máximo 5 horas por dia, com tempo para almoçar no local aonde iriamos pernoitar. A escolha seria de acordo com o nossa disposição física, a beleza do lugar e a existência de uma pousada que oferecesse um apartamento com banheiro privado. O custo desta opção é bem mais elevado, pois as diárias variam entre 50 a 80 euros, enquanto os albergues públicos custam uma média de 10 euros. Alguns albergues não estipulam um valor fixo pelo pernoite, cabendo o peregrino fazer uma doação de acordo com seu desejo, sua condição financeira e sua consciência. Também nos preparamos para degustar diariamente o menu do peregrino no almoço: salada, massa, carne, sobremesa, água ou vinho da casa. À noite provávamos uma sopa, uma salada ou prato de presunto/jamon ibérico ou serrano. Sempre acompanhado de vinho tinto “nacional”. Nas cidades maiores como Pamplona, Logroño, Burgos, Astorga e Ponferrada pernoitávamos em hotéis melhores e curtíamos restaurantes fora do padrão-peregrino. Nossa média de gasto diária ficou por volta de 120 euros. Um peregrino-raiz pode fazer o Caminho gastando menos de 30 euros por dia. Para isso basta hospedar-se nos albergues públicos, desfrutar o menu peregrino e não se exceder no  vinho e outras compras que devem ser feitas nas pequenas vendas e supermercados locais. 

Devido ao mau tempo, vamos pelo Caminho do Imperador Romano Carlos Magno até Valcarlos

Voltando às duas rotas entre Saint-Jean-Pied-de-Port e Roncesvalles, a Rota de Napoleão é mais cansativa, oferecendo em troca um visual deslumbrante. Se a subida dos Pirineus é difícil, a descida é muito pior, o que recomenda muita cautela para evitar machucar os joelhos logo no primeiro dia. A travessia dos Pirineus pela Rota de Napoleão somente é possível com bom tempo. Nessa época do ano, muitas vezes ela é fechada por falta de visibilidade, devido os frequentes nevoeiros que acontecem no inverno e começo da primavera. O escritório de acolhimento do peregrino em Saint-Jean-Pied-de-Port sempre orienta sobre as condições de subida dos Pirineus. Não se deve menosprezar essas indicações sobre o tempo. Muitos peregrinos passaram maus momentos ou mesmo morreram por não seguir a orientação sobre a meteorologia. Uma referência a esse perigo é retratada no filme The Way/O Caminho, em que um americano (Daniel/Emílio Esteves) morre ao tentar atravessar os Pirineus durante uma nevasca. Mais adiante falarei sobre este filme e coincidência de haver-nos hospedado numa pousada que serviu de cenário. O cansaço do primeiro dia é compensado pela energia e pela expectativa de aventura que o Caminho desperta. Depois de meses de planejamento, os primeiros dias nos dão uma sensação de que estamos realizando algo único, que ficará para sempre na nossa lembrança. Encerro o dia deixando para vocês uma frase do personagem aventureiro Daniel ao seu pai (Tom Avery/Martin Sheen), na conversa que tiveram antes de sua viagem para fazer o Caminho de Santiago. Ao perguntar ao filho se aquela era a vida que escolheu, o filho responde: “Uma vida não se escolhe, uma vida se vive”. Espero que vocês continuem nos acompanhando nesse Caminho e que esse relato possa servir de inspiração e incentivo para que vocês também venham a fazer o Caminho de Santiago no futuro. 

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