Textos Filosóficos

Schopenhauer e a sabedoria de vida

Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), filósofo alemão, influenciou o pensamento de Friedrich Nietzsche e Freud, defende a ideia de que através da vontade é possível conhecer a essência das coisas. Para ele, o homem é movido pelos seus desejos e suas paixões.

RESUMO

Para Schopenhauer, o homem está sempre querendo se livrar da dor da existência, buscando constantemente o seu bem-estar, desenvolvendo para isso aptidões que lhe permitam alcançar o máximo gozo, tentando escapar do tédio que a consecução de um desejo proporciona. Como não pode realizar todos os seus desejos, a única forma de superar seu egoísmo e sofrimento é através da ascese, que Schopenhauer afirma ser alcançada apenas pelos santos. Apesar disso, em sua obra “Aforismo para a sabedoria de vida” é apresentado um pensamento original que afirma que para se viver uma vida feliz, o homem tem que equilibrar-se entre a dor e o tédio, constitutivos da existência humana. Nessa obra, Schopenhauer se desvia da sua grande metafísica exposta em “O mundo como vontade e como representação”, vislumbrando um horizonte pragmático. As reflexões sobre esse elenco de atitudes que contribuem para se ter uma vida feliz, concluem que a resposta está dentro do próprio ser humano. Para apresentar seus argumentos em favor dessa ideia, Schopenhauer busca exemplos de “sabedoria de vida” em personalidades da história universal, brindando seus leitores com conselhos surpreendentemente atuais para se alcançar a felicidade.

Palavras-chave: Dinheiro. Felicidade. Riqueza. Sabedoria. Saúde. Vida.

UMA INTERPRETAÇÃO DOS AFORISMO PARA A SABODORIA DE VIDA BASEADA “NO QUE SE É” E “NO QUE SE TEM”.

Para um filósofo como Arthur Schopenhauer (1788-1860), que é sempre lembrado como um “pessimista”, para quem “toda vida é sofrimento”, pode parecer estranho, num primeiro momento, que o mesmo tenha se dedicado a escrever sobre como desfrutar uma vida feliz, com sugestões que hodiernamente poderiam ser confundidas com o que é publicado em manuais de autoajuda. A origem desse pensamento está nos seus conhecimentos da filosofia oriental, que lhe possibilitou desenvolver uma conceituação original sobre a vida humana. Na sua opinião, pode-se alcançar uma felicidade possível, evitando-se o sofrimento, através da razão que aglomera experiências em conceitos (BARBOZA, 2012, p. 43). Fruto de um “casamento de interesse” entre o rico comerciante Heinrich Floris Schopenhauer, e a jovem Johanna Trosiener, Arthur não teve o necessário e indispensável amor maternal, tendo entretanto herdado do pai o orgulho e a inteligência, e da mãe o interesse pelas artes (SAFRANSKI, 2012, p. 19). Esse contexto familiar de distância paterna e desamor materno, foi se deteriorando com a morte de seu pai e o afastamento cada vez mais acentuado de sua mãe. Em sua recente biografia do filósofo, Safranski atribui a esse contexto uma “falta de amor primitivo pela própria vida”. A filosofia ganhou um dos seus maiores expoentes modernos quando o jovem Schopenhauer conseguiu “deixar a escola particular em que era preparado exclusivamente para o comércio e matricular-se na escola pública, onde eram ministrados conhecimentos de caráter mais geral, sobretudo na área clássica” (SAFRANSKI, 2012, p. 71).
O livro Aforismos para a sabedoria de vida é parte integrante da obra pela qual Schopenhauer tornou-se conhecido, intitulada Parerga e paralipomena (1851). Escrito mais de três décadas após O mundo como vontade e como representação, tratam-se de mais de mil páginas cujo subtítulo é Escritos menores (Kleine philosophische schriften, no original alemão). Schopenhauer mantém a clareza na escrita pela qual ficou conhecido, evitando expressões filosóficas rebuscadas, com o propósito de apresentar suas ideias sobre como alcançar a felicidade e desfrutar uma vida agradável, sem fazer concessões ao aspecto moral da existência. Para isso usou toda a sua erudição ao recorrer a oitenta referências e citações de personagens da filosofia, literatura, política e da religião . Já na primeira página da obra, encontramos uma citação do filósofo Sébastian Chamfort, que resume schopenhauerianamente o conteúdo do que estamos prestes a desfrutar: “A felicidade não é coisa fácil: é muito difícil encontrá-la em nós, e impossível encontrá-la noutra parte”. Schopenhauer desenvolve sua ideia sobre a felicidade baseada exatamente na certeza que ela só pode ser encontrada no nosso íntimo, descartando a importância de afetações provenientes de fatores externos, por isso, um mesmo acontecimento nos afeta de forma completamente diferente do que afetará a outrem. Por essa razão, não é possível contar com ajuda externa para se alcançar a felicidade, ela está inexorável e exclusivamente dentro de nós mesmos. Para ele,
O mundo em que cada um vive depende em primeiro lugar de sua apreensão dele (…) pois o mesmo acontecimento que se apresenta tão interessante em uma cabeça espirituosa, se apreendido por uma superficial cabeça cotidiana, seria também apenas uma cena insípida do dia a dia. (SCHOPENHAUER, 2014, p. 10).
Analisando sua biografia, somos tentados a supor que Schopenhauer baseou-se em si mesmo para concluir que a posição social de destaque, inicialmente lhe conferida pelo seu pai, e posteriormente pela sua mãe, bem como a riqueza, não garantem uma vida feliz, pois a felicidade consiste em que se tenha a sensação de ser feliz, e essa sensação é processada na nossa “consciência”, visto que “o essencial é acima de tudo a constituição da própria consciência” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 11).
Schopenhauer considera arte a condução de uma vida que busca a felicidade, chamando atenção para o fato de que esta não é constante, pois “(…) nenhuma satisfação (…) é duradoura, mas antes sempre é um ponto de partida de um novo esforço, o qual, por sua vez, vemos travado em toda parte de diferentes maneiras” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 399). Isso acontece porque, para o homem “(…) até mesmo a atividade lúcida de nosso espírito é um tédio constantemente postergado [e] (…) querer e esforçar-se são sua única essência, comparável a uma sede insaciável” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 401). Para o filósofo, a felicidade está restrita ao limite da nossa individualidade, dependendo sempre daquilo que somos na nossa essência e do nosso caráter, que são “imodificáveis” e não pode ser tomado de nós. Por outro lado, o que “temos” ou o que “representamos” sempre foi considerado, erroneamente, como componentes integrantes da nossa felicidade, e ambos podem nos ser tirados, pois estão sujeitos a circunstâncias outras que não controlamos. Importância especial para se desfrutar uma vida feliz é dada à saúde, que Schopenhauer considera um “privilégio” supremo, superior a valores objetivos como riqueza e posição social, pois “um mendigo saudável é verdadeiramente mais feliz do que um rei doente” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 13). Um homem que também seja dotado de uma riqueza de espírito, mesmo que seja carente de bens materiais, também tende a ser mais feliz do que um homem rico que não tenha a capacidade de se contentar apenas com seus “próprios pensamentos e fantasias”. Os pobres de espírito passam pela vida sempre descontentes com o que têm, mesmo desfrutando de oportunidades que, aparentemente, trariam felicidade, tais como viagens, confraternizações e divertimentos diversos. Estes, nunca estão satisfeitos com tudo o que sua condição privilegiada venha a lhe proporcionar. Schopenhauer recorre a Horácio, Epístolas II, 2, para exemplificar a tese acima defendida por ele:
Gemas, mármore, marfim, estátuas tirrenas, quadros, Pratarias e vestes getúlicas tingidas de púrpura: Há quem não os tenha; há quem não as busque. (HORACIO, apud SCHOPENHAUER, 2014, p. 14)
Acrescenta ainda a frase de Sócrates: “ao ver artigos de luxo expostos à venda: “Quantas coisas há de que não necessito” (SÓCRATES, apud SCHOPENHAUER, 2014, p. 14). Schopenhauer inclui o tempo, que tudo muda, como um fator de insegurança para os privilégios, restando apenas o “caráter moral [que] permanece acessível também a ele [o tempo]” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 14).
Schopenhauer recomenda tirar proveito das nossas características físicas e intelectuais, para termos a oportunidade de melhor desfrutar de uma vida feliz, de acordo com essas peculiaridades e nossos interesses pessoais. Chama a atenção para que uma pessoa que seja dotada de força muscular, deve procurar uma atividade compatível com sua estrutura física, da mesma forma que um intelectual deve buscar desenvolver uma atividade que seja compatível com suas aptidões. Aqui encontramos novamente uma relação estreita com as escolhas que Schopenhauer teve que fazer, contrariando o desejo de seu pai, que o queria como herdeiro e continuador de suas atividades comercias. Ao contrário do desejo paterno, ele queria “tornar-se um erudito, aprender latim, grego, literatura, filosofia” (SCHOPENHAUER, 2012, p. 72). Contrariamente ao que escreve nesses Aforismos para a sabedoria de vida, ele não seguiu sua própria advertência sobre o perigo de evitar a presunção de se auto-atribuir uma força desmedida nas suas decisões. Podemos resumir os conselhos do filósofo para se ter uma vida feliz, no cuidado com a manutenção da saúde, com o aprimoramento das suas próprias capacidades do que na busca da riqueza, sem entretanto menosprezar o que é “necessário e adequado”. Para ele a felicidade está mais no que se é, do que no que se tem. Ao comparar as pessoas que se ocupam e se esforçam excessivamente em aumentar a riqueza que já possuem, encontramos novamente uma similitude com as atitudes do pai do filósofo, que se encaixa na definição de pessoa de “espírito vazio e, por isso, insensível a tudo o mais (…) [e] ao final da vida têm (…) um monte bem grande de dinheiro diante de si, o qual agora confiam aos herdeiros” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 15-16).
Schopenhauer, afirma que a felicidade está dentro de nós mesmos, como forma da nossa “personalidade” e “valor”, que são imutáveis. Já Aristóteles, na sua Ética a Eudemo VII, 2, afirma que “a natureza é perene, não o dinheiro” (ARISTÓTELES, apud SCHOPENHAUER, 2014, p. 19). Por essa razão, diz Schopenhauer, devemos dar mais valor aos “bens subjetivos” ligados ao caráter, ao intelecto, à “disposição jovial” e ao temperamento, do que aos bens materiais e distinções exteriores. Importância maior, entretanto, deve ser dada à “disposição jovial”, pois é ela que dispara uma autossatisfação de forma imediata. Uma pessoa alegre é alegre sem a necessidade de outros atributos ou de uma razão para tal, e essa alegria natural não corre o risco de ser roubada. Já com relação a uma pessoa rica, por exemplo, não existe qualquer garantia de que sua riqueza seja perene. Por essa razão, devemos estar sempre pré-dispostos à alegria, independente de uma justificativa ou razão específica. Schopenhauer volta a citar a saúde como algo importante para a manutenção da alegria, mais importante ainda do que a riqueza. Ele recomenda a prática de exercícios físicos diários e outras atividades associadas à atividade mental, para a manutenção de uma vida saudável e alcançar a felicidade, afirmando que “nove décimos de nossa felicidade dependem unicamente da saúde” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 21). Consideramos que os dez por cento restantes, podem ser encontrados em pessoas super especiais que, mesmo portadoras de uma doença grave, conseguem razões para serem felizes. Apresentamos aqui o exemplo da comediante e atriz americana, descendente de palestinos, Maysoon Zayid. Maysoon pode ser incluída no um duodécimo de pessoas cuja felicidade não depende da sua saúde. e desfaz a ideia de que para sermos felizes temos que ter saúde, na sua palestra na Conferência TED Women 2013, intitulada I got 99 problems … palsy is just one (Eu tenho 99 problemas … paralisia é somente um deles) (MAYSOON, 2013). O exemplo de Maysoon confirma a tese de Schopenhauer, de que a felicidade está dentro de nós mesmos, quando ele afirma que “(…) devem ser considerados felizes aqueles que então também obtêm algo autêntico de si mesmos” (SCHOPENHAUER, 2014, p. 29). Sêneca (SENECA apud VEYNE, 2015, p. 50) também explica a alegria como a de Maysoon, quando diz que “A felicidade se resume a uma segurança infalível”. Schopenhauer defende ainda que devemos priorizar nossa saúde em detrimento de sacrificá-la para alcançar o sucesso, chamando a atenção, entretanto, para o fato de existir pessoas “taciturnas” e de “temperamento melancólico”, que, mesmo com perfeita saúde, não dispõem de disposição para a felicidade. Segundo ele, esses exemplos não têm solução por fazerem parte da própria personalidade da pessoa em questão. Na obra O mercador de Veneza Shakespeare retrata esse estado de espírito em Antônio, já na primeira cena, quando o mercador veneziano diz que
Na verdade, ignoro a razão de minha tristeza. Ela me obseda; direis que ela também vos obseda; porém, como eu a apanhei, nela tropecei ou a encontrei, de que matéria é feita, de onde nasceu, estou ainda para saber. Ela me torna tão estúpido que tenho grande trabalho para reconhecer-me.” (SHAKESPEARE, 2015, p. 17).
Schopenhauer afirma que “A riqueza é como a água do mar: quanto mais dela se bebe, tanto mais sede se tem. – O mesmo vale para a fama” (SCHOPENHAUER, 2015, p. 46). Para ele, nunca estamos satisfeitos com o que temos, quando nos falta algo que queremos. Por outro lado, uma pessoa que não tenha tantos bens e não queira adquiri-los, pode satisfazer-se totalmente sem a sua posse. Cada pessoa tem consciência daquilo que pode adquirir, ficando feliz quando o adquire, e triste, quando, por alguma razão, não teve sucesso na sua aquisição. Schopenhauer afirma que, se por acaso perdemos nossos bens, sentimos a dor dessa falta num primeiro momento, mas acostumando-nos com o passar do tempo. Por outro lado, se alguém fica rico repentinamente, seu nível de exigência aumenta gradativamente, o que lhe faz feliz momentaneamente, até o momento em que já não mais valoriza o que conquistou.
Olhar para dentro de si mesmo, não basear a conquista da felicidade em fatores externos como posição social e riqueza material, esforçar-se para encurtar os períodos entre a dor e o tédio, que são inevitáveis no decorrer da existência; Cuidar constantemente da saúde do corpo e da mente e manter-se jovial. Com essas recomendações um tanto óbvias, mas desprezada por muitos, Schopenhauer nos deu razão para sermos otimistas e buscar viver a vida com “sabedoria”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOZA, J. Viver não presta. Ser feliz é viver menos feliz. Sabedoria e estoicismo em Schopenhauer. In: CARVALHO, R.; COSTA, G.; CARVALHO, D. (Org). Schopenhauer, Nietzsche e a antiguidade. Fortaleza: Ed. UECE, 2012. p. 37-49.
MAYSOON, Z. I got 99 problems … palsy is just one. 2013. Disponível em: https://www.ted.com/talks/maysoon_zayid_i_got_99_problems_palsy_is_just_one?language=pt-br – Acesso em 13/dezembro/2017.
SAFRANSKI, R. Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia. Tradução de William Lagos. São Paulo: Ed. Geração, 2012.
SCHOPENHAUER, A. Aforismos para a sabedoria de vida. Tradução de Gabriel Valladão Silva. Porto Alegre: Ed. L&PM, 2014.
SCHOPENHAUER, A. O mundo como vontade e como representação. Tradução de Jair Barboza. São Paulo: Ed. UNESP, 2005.
SHAKESPEARE, W. O mercador de Veneza. Tradução de Fernando Carlos de Almeida Cunha Medeiros e Oscar Mendes. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2015.
VEYNE, V. Sêneca e o estoicismo. Tradução de André Telles. São Paulo: Ed. Três Estrelas, 2015.

APÊNDICE

LISTA DE CITAÇÕES & REFERÊNCIAS ENCONTRADAS NOS AFORISMOS PARA A SABEDORIA DE VIDA

01. Alexandre, o Grande
02. Angelus Silesius
03. Apuleio
04. Ariosto
05. Aristóteles
06. Aulo Gélio
07. Aulo Pérsio
08. Bacon de Verulâmio
09. Baruch Espinoza
10. Benjamin Franklin
11. Bernadin de Saint-Pierre
12. Byron
13. Calderon de la Barca
14. Cervantes, Miguel
15. C. G. Von Wachter
16. Charles Durand
17. Christoph Martin Wieland
18. Cícero
19. Claude-Adrien Helvétius
20. Clemente de Alexandria
21. Denis Diderot
22. Diógenes Laércio
23. Eberhard August Wilhelm von Zimmermann
24. Epíteto
25. Estobey
26. François de La Rochefoucault
27. Friedrich Schiller
28. Gellert
29. Georg Christoph Lichtenberg
30. Giordano Bruno
31. Gottfried Wilhelm Leibniz
32. Gotthold Ephraim Lessing
33. Immanuel Kant
34. James Beattie
35. Jean-Étienne Dominique Esquirol
36. Jean le Rond D’Alembert
37. Johann Gottlieb Fichte
38. Johann Wolfgang von Goethe
39. John Freinsheim
40. Heródoto
41. Homero
42. Horácio
43. Jean de La Bruyère
44. Jean-Jacques Rousseau
45. Jerónimo Osorio
46. Jesus Sirácida
47. John Mellingen
48. John Milton
49. Juvenal
50. Karl Ludwig von Knebel
51. Lucrécio
52. Mateo Alemán
53. Matthias Claudius
54. Menandro
55. Metrodoro (Discípulo de Epicuro)
56. Napoleão Bonaparte
57. Oliver Goldsmith
58. Petrarca
59. Petrônio
60. Platão
61. Plutarco
62. Pierre Corneille
63. Pitágoras
64. Rainha Cristina da Suécia
65. René Descartes
66. Saadi (Musharrif Od-Dîn Sa’adi)
67. Salustio
68. São Paulo
69. Sébastian Chamfort
70. Sêneca
71. Sófocles
72. Tácito
73. Teógenes
74. Thomas Hobbes
75. Tito Lívio
76. Virgílio
77. Voltaire
78. Walter Scott
79. William Shakespeare
80. Xenófanes

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